O caos reina: o amor e o horror no último filme de Lars Von Trier

atenção: não é uma dica de filme! não é um filme que se recomende. Anticristo, último filme do dinamarquês Lars Von Trier, não tem nada de leve, nem de divertido. Mas trata do ser humano, o que me interessa, e o faz de maneira crua, dura, verdadeira, estética… brilhante. Extremamente controverso, o filme é um mergulho profundo na experiência de um casal em luto: toca nos nossos limites, nos faz pensar no impensável (talvez por isso tamanha reação negativa? tamanha controvérsia?). Em cinco minutos de filme, no prólogo, nos vemos diante de uma situação insustentável, impensável, impossível. Daí descemos abismo abaixo, tateando, no escuro, os limites da natureza humana: um verdadeiro duelo entre as forças da natureza, da sexualidade em sua expressão mais extrema com as frágeis possibilidades da nossa racionalidade. Ficamos pequenos, minúsculos, sem saber o que fazer ou pensar. é o reino do caos, como coloca o diretor. Não tem pra ninguém. Certamente não tem pra terapia cognitivo-comportamental, que vai por água abaixo, tão risivelmente impotente diante da dureza que testemunhamos, aflitos, no filme.

Interessante que o diretor, em entrevista no Festival de Cannes, nos conta que o fime foi o resultado de um longo e duro período de depressão e que ele não sabe bem porque o fez nem o que quis dizer com ele. Consciente ou não, acho que ele quis compartilhar com a gente um pouquinho de seu passeio pelas trevas e pelo horror. Quanta gentileza!

Enfim, não recomendo o filme. Acho que é pra quem tem certa afinidade com o demônio, gente esquisita, que certamente pecisa de terapia. Eu adorei.

Ah! pra quem quiser dar só uma espiadinha, sem compromisso (se é que é possível), os 6 primeiros minutos de filme - magistrais, em termos de cinema - estão no You Tube: é só digitar, na busca: “Antichrist prologo”. Pra quem se sentir em casa com o prólogo, recomendo assistir também no YouTube a entrevista com o diretor, onde ele fala da depressão e do filme (busca: Lars Von Trier interview). E se você gostou muito do assunto, recomendo também uma terapia. Mas cuidado com as TCCs…

Fernanda Aranha

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